Prisão de secretário-geral da ALE-RO na Operação Reduto amplia repercussão política em Rondônia

A prisão de Rogério Gago da Silva, secretário-geral da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), durante a Operação Reduto, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (9), continua repercutindo no cenário político estadual. Conhecido nos bastidores como “Tigrão”, ele é investigado no âmbito de uma apuração que envolve suspeitas de fraude em licitações, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa.

A operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Velho, Ariquemes e Manaus (AM), além de determinar o afastamento de 11 servidores públicos, por decisão judicial.

Como surgiu a investigação

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em 2024, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo uma empresa sediada em Manaus que mantinha contratos públicos em Rondônia.

De acordo com a PF, o grupo investigado atuaria em duas frentes principais: a suposta manipulação de licitações e direcionamento de contratos públicos no município de Ariquemes e o desvio de recursos públicos por meio de depósitos em contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa, prática conhecida como “rachadinha”.

As investigações apontam que os envolvidos teriam movimentado mais de R$ 9 milhões em valores incompatíveis com a capacidade financeira declarada. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e de criptoativos dos investigados.

Local da prisão

Veículos de comunicação informaram que Rogério Gago teria sido preso em um hotel de Porto Velho durante o cumprimento de um dos mandados expedidos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

Entretanto, até a publicação desta reportagem, a Polícia Federal não havia divulgado oficialmente detalhes sobre o local da prisão, nem confirmado informações que circularam sobre eventual rastreamento por telefone celular.

Defesa afirma confiar na Justiça

Em nota encaminhada à imprensa, a defesa de Rogério Gago reafirmou a presunção de inocência do secretário-geral e destacou que, durante as diligências, não teriam sido apreendidos materiais ilícitos em sua posse.

Os advogados afirmaram confiar no andamento das investigações e disseram acreditar que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

Assembleia divulga nota

Também por meio de nota oficial, a Assembleia Legislativa de Rondônia informou que mantém mecanismos de controle interno, fiscalização e governança, ressaltando que os procedimentos licitatórios da Casa são públicos e podem ser consultados por meio do Portal da Transparência.

O comunicado, no entanto, não abordou especificamente a prisão do secretário-geral nem detalhou a atuação da Polícia Federal nas dependências da Assembleia.

Caso provoca reflexos políticos

A prisão de Rogério Gago, considerado um dos principais articuladores administrativos da Assembleia Legislativa, provocou forte repercussão nos bastidores políticos de Rondônia.

Embora não exista, até o momento, nenhuma operação policial deflagrada diretamente contra o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alex Redano (Republicanos), ou contra sua esposa, a prefeita de Ariquemes, Carla Redano (União Brasil), o escândalo acabou produzindo reflexos políticos sobre ambos.

Isso porque Rogério Gago ocupava um dos cargos de maior confiança na estrutura administrativa da Assembleia, presidida por Alex Redano, enquanto parte das investigações envolve contratos relacionados ao município de Ariquemes, administrado por Carla Redano.

Nos bastidores políticos, o caso tem aumentado a pressão por esclarecimentos e gerado debates sobre os desdobramentos da Operação Reduto. Entretanto, não há confirmação oficial da Polícia Federal de que Alex Redano ou Carla Redano sejam investigados ou alvos da operação.

Especulações sobre novas fases da investigação

Também circulam nos bastidores relatos sobre a possibilidade de novas fases da Operação Reduto e de eventual ampliação das investigações. No entanto, até o momento, a Polícia Federal não anunciou novas operações nem confirmou informações divulgadas informalmente.

Da mesma forma, não existe confirmação oficial sobre alegações de interceptações telefônicas ou ambientais em gabinetes da Assembleia Legislativa ou de que deputados, empresários, jornalistas, familiares ou outras pessoas estejam sendo investigados apenas por manterem contato com Rogério Gago.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e dos demais órgãos competentes, enquanto os fatos continuam sendo apurados no âmbito judicial.

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